sábado, 20 de março de 2010

Salva-te, não te prendas.

Não penses nunca que podes fazer parte de mim, que podes chegar mais perto de mim.
Tu não serias capaz de o sentir, pois sabes que te estarias a magoar.
Não quero que faças parte de mim. Queria poder fazer parte de ti, no fundo é isso que quero.
Vais aprender a odiar-me. Aceita isso. Não queiras que te chame amor, não me chames querida. Vou apenas chamar pelo teu nome.
Salva a tua alma, salva-te antes que tenhas ido longe demais, antes que nada possa ser feito. Salva-te antes que estejas preso.
E eu que me sentei perto de ti. Devo segurar a tua mão? Não, eu não tenho coragem para enfrentar estes dois mundos tão diferentes.
Apenas te digo segura-te, afasta-te, salva-te, aguenta bem firme.
Despe o meu casaco e eu saberei que tudo está errado. Ao despires o meu casaco eu sei que tudo está errado.
Não digas que estás apaixonado enquanto me abraças.
Salva-te, salva a tua alma antes que nada possa ser feito. Porque sem mim podes ter tudo, podes fazer tudo.
Aguenta firme.
Sem mim tens tudo, podes ter tudo. Aguenta firme.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Passo a passo, sem esperar nada.

Vesti uns calções curtos, mas confortáveis, os meus ténis de jogging, um top e atei o cabelo. Prendi o iPod nos calções e os phones atrás do pescoço, coloquei os óculos de sol, peguei na chave do carro e saí.
Saí de casa quando no meu relógio apareceram 17horas e 0 minutos. Pareceu-me a hora ideal, a hora perfeita.
O som que vinha da rádio era tranquilizante. Estava calor, mas não queria ligar o ar condicionado, queria ar puro, sentir a brisa suave no meu rosto. Naquele dia, queria e sentia necessidade de coisas espontâneas e naturais. Abri, então, o vidro do carro e por momentos apeteceu-me saltar, mas apenas do meu braço foi rebelde.
Os cigarros estavam a acabar, porém aquele momento era tão genuíno que não me importei. Tirei, então, um cigarro, acendi-o, ajeitei os óculos de sol, aumentei o volume do rádio e não fiz nada mais do que desfrutar.


Cheguei.


Aquela praia repleta de boas recordações fez-me sentir saudades, tinha de lá voltar, mas desta vez sozinha. Tinha de a conhecer sem ti, tinha de saber se, mesmo sem ti, tu continuavas lá.
Ao olhar o mar senti uma adrenalina, uma fúria e uma vontade tão, mas tão intensa que, sem pensar em mais nada, corri... corri... corri... corr... cor... co... c............. corri até ficar sem fôlego. Corri até não conseguir mais, até os meus joelhos caírem na areia e a minha cabeça ficar caída entre os meus braços. O meu corpo desistiu ali, as minhas forças, ou a falta delas, deixaram-me ficar ali, caída num imenso mar de areia. O meu corpo cedeu ainda mais e, sem conseguir resistir, todo o meu corpo se estendeu.
Olhei para cima, ceguei. Num rápido impulso os meus olhos fecharam-se e assim se mantiveram até sentir uma presença forte deitada a meu lado. Olhei para um lado. Olhei para o outro lado... mas não vi ninguém, não estava ninguém. Percebi que, mesmo tu não estando ali, estavas presente.

Estava na hora. Levantei-me a custo e caminhei lentamente. Sem pressas, sem esperar nada, sem saber para onde ia, sem querer coisa alguma... comecei a caminhar. Passo a passo! Foi assim a partir daquele momento.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Puramente físico.

Não sei que dia é hoje, não sei que mês é este. O relógio está tão vivo que eu perco toda a noção de tempo, está tão vivo que tenho perdido tempo demais. Eu não posso prosseguir, mas não posso desistir. Tenho perdido tempo demais.
Somos tu e eu, com tanta coisa para fazer e nada a perder. Somos tu e eu e somos todas as pessoas que neste momento importam. Não consigo tirar os olhos de ti, não consigo deixar de pensar em tudo o que me podes dar, em tudo o que te quero dar.
Tento revelar-te coisas não ditas, mas todas as coisas que te quero dizer, não estão a sair de forma directa, parece tudo confuso. Eu tropeço nas palavras, mas a culpa é tua. Decidiste deixar a minha mente às voltas. Eu não sei para onde ir. Não sei sair daqui. Há qualquer problema que ainda não foi nomeado.
Tu e eu!
Tudo o que fazes é bem feito, até a tua sinceridade extrema é perfeita. Tudo o que fazes está certo, tudo o que fazes é bem feito. Mas, existe algo sobre ti... existe algo sobre ti que eu não consigo compreender completamente, que me faz ter reservas acerca de ti. Essa parte preenche-me o pensamento. Tenho sede de descobrir por saber que isso não é possível!
Somos tu e eu, com tanto para fazer, sem nada a perder, com nada a provar.
Tu és a confusão que não acaba, relógios que não se calam, paredes que se vão fechando. És uma onda feroz que me atira para o chão e me deixa de joelhos. Eu vou conseguir levantar-me, e aí vou agarrar-te, pois eu não posso parar agora que sei andar. Malditas oportunidades perdidas que me fazem pensar se serei uma parte da cura ou da doença.

Que dia é este? Qual é o mês?
Este relógio nunca pareceu tão vivo!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Percebes?

"Não é só fazeres amor comigo, percebes? Não é só fazeres amor comigo. Chegas aqui e dizes que gostas muito, gostas muito, gostas muito. E isso mexe muito comigo, percebes?"

terça-feira, 14 de abril de 2009

Saudade


Que mulher nunca comeu
Um chocolate por ansiedade
Uma alface por vaidade
Ou um canalha por saudade?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Agora nada mais importa.

Foste tomar um duche ao final da tarde enquanto eu dava as indicações do jantar à Madalena. Mas estava demasiado inquieta e obviamente que não era por estar a fazer uma coisa que faço todos os dias. Tentei acalmar-me deitando-me no sofá, mas nem isso resultou.
Subi as escadas. Ouvia-se a água a correr e talvez estivesses a cantar, pelo menos pareceu-me ouvir a tua voz. Entrei no nosso quarto. Peguei no teu telemóvel, mas não fui capaz de o fazer.
"Treta, onde está a cigarreira? O isqueiro?"
Estava mesmo à minha frente, em cima da minha mesa de cabeceira. Como não via? Como era possível não ver algo que estava mesmo à minha frente?
Peguei naquilo que procurava, coloquei o isqueiro dentro do bolso da camisa e levava a cigarreira na mão. Desci as escadas.
"Madalena, se o Sr Dr perguntar por mim, diga-lhe que não tardarei a voltar e que ele saberá onde me encontrar.".
Quando bati a porta reparei que estava demasiado vestida. Aquele final de tarde era quente e o pôr-do-sol estava magnífico.
Ia caminhando pelo jardim da casa em direcção ao baloiço enquanto ia deixando roupa cair. Sem qualquer pudor, vergonha ou consciência, ia deixando a roupa ficar para trás. Não olhava para trás, pelo menos era o que estava disposta a fazer com tudo na minha vida.
Tinha ficado apenas com a tua camisa vestida, aquela que eu uso quando estou em casa. Estava cada vez mais próxima do baloiço. Sentei-me, olhei em meu redor... olhei e reparei. Tudo estava tão fantástico e eu tão apática. A tristeza começava a entrar em mim de uma forma cada vez mais intensa e a única coisa que eu queria era não pensar. Não queria que fosse mesmo verdade. Sentia um sufoco tão, mas tão grande. Pela minha garganta não passava nada e no meu coração passavam estacas!
Abri a cigarreira. Tirei um cigarro, não ao acaso, mas o terceiro. Tirei o isqueiro do bolso da camisa. Acendi o cigarro.
Não sei dizer o que estava a sentir. Estava a sentir-me tão livre que me sentia capaz de voar, contudo bastava-me pensar em ti que um peso caia sobre mim. O cigarro ia ficando cada vez mais pequeno, mais e mais pequeno. Queimou-me, mas eu continuava ali.
"Porque não fui capaz de mexer no telemóvel dele? Porque é que tenho medo de descobrir aquilo que no fundo sei? Até o meu cheiro que está nesta camisa se confunde com outro cheiro que não o dele".
Não sabia o que se passava comigo, eu sempre tinha sido forte, alguém com coragem, mas tudo isso estava a desaparecer. Já nem eu me conhecia. Ele estava a deixar-me exausta. Estava a destruir-me e a transformar-me em alguém que eu não queria ser.
As lágrimas já me cobriam o rosto e a minha visão já estava turva quando ouço alguém a aproximar-se.
Pegaste na minha mão.
"Querida vou ter de sair."
"E o jantar?"
"Não tenho tempo, janto no hospital."
"Mas disseste que hoje entravas mais tarde."
"Infelizmente vou ter de ir mais cedo. Vá querida..."
Beijaste-me na testa e saíste.
Não, eu já não precisava de mais provas.
Levantei-me, acendi mais um cigarro. Caminhei, mas desta vez em direcção à piscina. Eu estava determinada. Peguei na garrafa de whisky que deixavas sempre próxima da piscina. Entrei calmamente, senti um arrepio, mas era apenas porque a água estava fria. Sentei-me nos degraus interiores com o cigarro de um lado, a garrafa do outro e... bebi, bebi, bebi. Bebi até já não me restar mais nada que aquele pôr-do-sol e as forças suficientes para me deixar flutuar de cabeça para baixo, deixando-me adormecer assim e nunca mais acordar. Era a única coisa que me restava. Era o que tinha de fazer.


Eu amava-te. Agora para nada importa.

sábado, 20 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O salto que parte. A multidão que passa.

Confusão. Multidão. Gritos. Buzinas. Empurrões. Sinais vermelhos. Passadeiras cobertas. Sinais verdes. Trânsito. Pedintes.
Tudo isto me parece fascinante. Estou a andar pelo mesmo caminho que sempre andei, mas hoje tudo me parece diferente. Tudo me parece novo. "Devia ter reparado nisto mais cedo. Devia ter percebido o quão fascinante isto é."
Começo a girar em torno de mim mesmo, começo a ver mil e uma coisas ao mesmo tempo. Estou a ver o céu cinzento, a madama a tomar café numa esplanada, o pedinte que se diz cego a contar as moedas, cães desavergonhados, o empregado de mesa vestido de negro que quase cai, a menina com uma fitinha na cabeça que chora puxada pela mãe, dois homens que se beijam, esses homens juntam as mãos. Vejo dois condutores a discutirem, o velhinho a ler um jornal, duas adolescentes que bebem chocolate quente, o grupo rastafari que toca jambés, o cuspidor de fogo, o rapaz de phones que canta sem som, o ladrão que passa a correr, a senhora que grita "Agarra que é ladrão". Vejo o olhar de repugnância da madama que toma café ao ver o beijo entre os dois homens, o segurança da loja que fala aparentemente sozinho, a pasta do homem que se abre, os papeis que voam, a saia da senhora que levanta, a rapariga que sorri para o telemóvel, as mãos de um homem lindo que seguram um jornal, o olhar de assédio da mulher linda que está ao lado.
Continuo a girar, continuo a observar. É um rodopio intenso que não consigo parar. Estou a girar cada vez mais rápido e agora não me consigo focar em nada.
O meu salto parte. Estou caída no chão agarrada ao tornozelo. Estou a rir e não sei a razão. Estou a rir-me de mim mesma? Estou a rir-me do salto partido que tenho na mão?
"Menina, está bem? Precisa de ajuda? Precisa que chame alguém?"
"Não, não. Estou bem, obrigada."
"Agarre-se a mim, eu ajudo-a."
"Não, por favor não. Tenha um bom dia."
Sinto agora que algo me escorre pela cara. O riso tinha passado subitamente a choro. Sei que não choro por estar sozinha, alguém me quis ajudar e eu não aceitei. Sei que choro de felicidade por sentir e de tristeza pelo olhar de repugnância da madama. Choro agora de alegria por ver o beijo de dois homens.
As pessoas não param, movem-se freneticamente, correm, gritam, choram, riem, cantam, empurram-se, insultam-se, beijam-se, tropeçam, falam ao telemóvel, atiram uma das pontas dos cachecóis para trás.
AAAAAAAHHH, a minha cabeça dói! Não estou a conseguir suportar.
Pára tudo! Quero brincar ao 'Tá Stop. Esse jogo de criança que nos faz sentir o poder nas mãos. Quero que tudo à minha volta pare. Já sinto a minha cabeça a andar à roda. Sinto que estou a ficar louca. Sinto que vou explodir.
"Táxi... Táxi!"
"Bom dia menina. É para onde?"
"Para bem longe daqui. Não sei."

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Não fales agora.

Preciso dizer-te algumas coisas. Preciso dizer-te tudo o que vai aqui dentro. Preciso que saibas o que sinto por ti, os sentimentos e sensações que causas em mim. Preciso contar-te tudo isto.
Não, agora não. Por favor, não fales agora. Deixa-me ir até ao fim, se não for agora...

Precisas saber que quando estou perto de ti, ou simplesmente quando penso em ti, o meu coração acelera, bate a mil à hora. Sabes o que significam estas palavras tão conhecidas e ditas por tanta gente? Sabes que significa que és especial, não sabes?

Preciso dizer mais alguma coisa? Eu penso que não, mas se achares o contrário eu continuarei a dizer que as minhas pernas caminham sob cordas bambas quando te vejo, as palmas da minha mão soam, fico com um nó na minha ganganta...

Já percebeste. Eu sei que sim.

E agora?

sábado, 6 de setembro de 2008

A vida académica.

JoãO pAlMa....... diz:
vai la escrever no blog
JoãO pAlMa....... diz:
ahh entrei na faculdade
JoãO pAlMa....... diz:
agr vou ser feliz


xD

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Uma última noite.

"Esta será a nossa última noite. A noite em que os nosso corpos se tocam e se tornam num só. Será a noite em que o que está dentro destas quatro paredes também deixa de interessar, excluindo nós. Esta sim, será a noite em que estaremos juntos de corpo e alma, depois... bem, depois... só as nossas almas estarão juntas e os nossos corpos separados.".
Disse-te todas estas palavras, uma por uma sem me escapar nenhuma. Disse-tas enquanto estávamos a dançar a um ritmo demasiado lento para dois corações tão acelerados.
Foi depois de teres invadido o meu quarto, onde eu estava já deitada, em toda aquela escuridão, de costas voltadas para cima e a olhar aquele mar que tenho o privilégio de ver por aquela enorme janela. Foi depois de te teres deitado ao meu lado com uma perna sobre as minhas, com o teu rosto lado a lado com o meu e o teu braço a abraçar as minhas costas nuas. Ficámos assim algum tempo, tempo esse que agora me parece fugaz demais. Não me mexi um milímetro que fosse enquanto te deitavas ao meu lado e adaptavas o teu corpo ao meu, nem enquanto estávamos os dois naquela posição a olhar o mar. Estivemos sempre em silêncio até então. Foi depois de te teres levantado, de te pores de costas voltadas para o mar em pé diante de mim, substituindo a visão de um mar imenso para um corpo imenso e esbelto, e de me teres estendido a mão. Foi depois de eu ter levado a minha mão ao encontro da tua, de me ter levantado em silêncio, de juntar o meu corpo ao teu, dos teus braços abraçarem o meu corpo e de eu pousar a minha cabeça no teu ombro. Foi depois de tudo isto. Foi depois de termos balançado o nosso corpo algumas vezes. Mas foi depois da minha primeira lágrima, foi depois da minha primeira lágrima que eu te disse todas aquelas palavras em voz baixa e ao teu ouvido, ainda com o rosto deitado no teu ombro. Foi depois de tudo isto que eu disse todas aquelas palavras que pareciam flechas lançadas ao meu coração.
Não disseste nada, agarraste-me ainda com mais força. Aceitaste sem dizer palavra, apenas continuaste sem contestar. Era isso que eu queria. Não queria gritos, mais palavras de sofrimentos, não queria nada a não ser estar contigo ali naquela última noite. Nem as lágrimas que nos escaparam eu queria.
Dançámos... dançámos... dançámos... dançámos sem dizer qualquer palavra, sem qualquer expressão facial. Fizeste-me sentir saudades tuas.
Paraste subitamente. Afastaste-me de ti. Colocaste a tua mão direita na minha cintura e a esquerda no meu rosto. Ficaste parado a olhar para mim, a avaliar todos os traços do meu rosto, até veres uma lágrima a escorregar pela minha cara. Seguiste com o teu olhar o trajecto que ela fazia até chegar ao pescoço. Foi então que me beijaste primeiramente o pescoço, depois foste subindo, subindo até encontrares os meus lábios.
Despiste-me de preconceitos. Despiste-me literalmente, lentamente e, simultaneamente, eu fazia o mesmo contigo...
... ...
Acordei deitada a teu lado. Olhei para ti e depois para o mar calmo daquela manhã e só depois, quando olhei à minha volta, encontrei marcas óbvias de prazer e amor por todo o quarto.
Sentei-me na cama, levei as pernas para fora dela, peguei na tua camisa que estava ao fundo da cama, vesti-a, voltei a olhar para ti, depois para o exterior da janela com aquela enorme varanda e levantei-me.
Fui em pontas de pés até à banheira para não te acordar. A minha intenção era tomar duche e depois preparar-te um pequeno almoço inesquecível.
Tomei um duche que sabia não ser rápido. Mas precisava de todo aquele tempo para tocar em todos os pontos do meu corpo onde tu tinhas tocado. Precisava estar relaxada para fazer o que intencionava depois de sair daquele duche.
Voltei a vestir a tua camisa, sentia-me confortável com ela e sabia que tu adoravas ver-me com ela.
Fui novamente até ao quarto... Não havia sinal de roupas tuas no chão, não havia sinal do teu corpo deitado na minha cama... Não havia sinal de ti.
No entanto, deixaste-me algumas coisas que, naquela momento, pensava que era apenas uma mesa na varanda com o pequeno almoço preparado e um guardanapo com um coração que tinha sido eu a desenhar e que te tinha dado no primeiro café que tomámos juntos. Pensava eu que era apenas isso que me tinhas deixado, mas enganei-me! Deixaste-me saudade, fúria, sofrimento, amor, paixão, recordações, a tua camisa e um pedido de casamento entalado na minha garganta.
Enquanto tomava aquele duche a minha intenção era relaxar e ficar bonita para ti, para que quando eu estivesse sentada na mesa da varanda com o pequeno almoço preparado para nós e a praia como pano de fundo, acordasses, olhasses para mim, sorrisses, te dirigisses a mim, me beijasses, te sentasses ao meu lado e, aí sim, eu te pedir que ficasses comigo para sempre.
Era isso que planeava para nós depois daquela noite. Planeava que aquela última noite não fosse verdadeiramente a nossa última noite.
As únicas palavras pronunciadas naquela noite saíram da minha boca. Estavam amaldiçoadas.
Foi uma noite a preto e branco. Uma noite de silêncio. Uma noite de intenso envolvimento e paixão. Foi uma noite tão simples, tão intensa e perfeita, que queria que aquele começo de dia fosse também especial.
Saíste da mesma forma que entraste. Entraste sem dizer qualquer palavra, continuaste em silêncio e saíste da mesma forma. Entraste sem fazer barulho, sem eu dar por isso e saíste da mesma forma. Mas entraste para me amar e saíste sem que deixasses que eu te amasse para o resto da minha vida.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Fecho a porta.

Eu fecho a porta
Como tantas vezes, como tantas vezes antes
Como é que te deixei ir embora esta noite
Sem dizer nada
Eu tento dormir, sim
Mas o relógio está parado no pensamento tu e eu
Surgem mais mil arrependimentos, sim
Se estivesses aqui agora, eu juro,
Eu dir-te-ia isso

Não quero desperdiçar outro dia
Guardar isto dentro de mim está a matar-me
Porque tudo o que eu quero, só tem a ver contigo
Eu gostaria de poder encontrar as palavras para dizer
Eu dir-te-ia todas as vezes que partisses
Eu estou inconsolável
Eu subo pelas paredes
Eu vejo a beira do abismo e não consigo saltar
Eu memorizei o teu número
Então por que não te consigo ligar?
Talvez porque eu saiba que sempre estarás comigo
Na possibilidade

Eu não quero ficar assim
Eu só quero que saibas
Tudo o que estou a segurar
É tudo o que eu não posso abandonar, não posso abandonar

Não sabes?
Eu não quero desperdiçar outro dia
Eu gostaria de poder encontrar as palavras para dizer
Eu dir-te-ia todas as vezes que partisses
Eu estou destroçada

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Procura-se...

Não quero que sejas demasiado racional, precisas de encontrar um equilíbrio entre a cabeça e o coração. Tens de ter sentimentos, tens de ter coração.
Não quero que te cales, quero que fales, quero que grites. Mas quero que ouças.
Tens de saber chorar, rir, sorrir, gritar, sussurrar.
É preciso que respeites, que admires, que elogies. É preciso que gostes, que adores e que ames. Preciso que sintas. Não quero que sejas demasiado sentimentalista, é preciso que consigas ser frio. Não tens de levar o pequeno-almoço à cama todos os dias, tens de fazer com que também haja dias em que o façam por ti.
Quero que cantes no duche, preciso de me rir contigo. Preciso que faças rir.
É obrigatório que saibas guardar segredo sem pedir nada em troca. Sshhhh… Segredo!
Não precisas ser puro, nem completamente impuro. É preciso que já tenhas errado. Podes até já ter sido enganado. Podes já ter sofrido.
É necessário que sonhes, que tenhas sonhos. É necessário que lutes por esses sonhos e que não desistas deles. Não precisas ter sempre as mesmas ideias, os mesmos sonhos e objectivos. É preferível que mudem tal como é preciso que vás mudando e crescendo com o tempo. É preciso que gostes de aprender e crescer.
Tens de saber conversar de coisas simples, de coisas banais ou coisas complexas. Tens de saber dar a tua opinião e saber ouvir as outras.
É preciso que te comovas com a simplicidade, que saibas recordar, que precises recordar. É preciso que dês valor às recordações. É preciso que dês valor ao ser humano, aos desertos, à praia, aos beijos, aos abraços, à escuridão, à noite, ao pôr-do-sol, aos meus desejos e a ti mesmo.
Tens de me saber abraçar, de me deixar sentar ao teu colo, de chorar no teu ombro. Tens de me deixar abraçar-te e fazer por ti o que fazes por mim.
Preciso que sejas duro comigo, preciso de aprender. Preciso que sejas compreensivo comigo, preciso de apoio. Tens de saber apoiar e criticar.
Gostas de chocolate quente? Era bom que gostasses, mas não é imprescindível. Não podes gostar de tudo o que eu gosto. Não podes aceitar tudo, nem criticar tudo.
Tens de ser livre.
Não podes ser vulgar.
Não podes ser perfeito.
Tens de ser imperfeito.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Tudo o que ele quer.

Ele leva uma vida solitária

Já era tarde quando ele acordou
Na luz da manhã e no começo do dia
Ele abriu os olhos e pensou
Oh que manhã!
Este não é um dia para trabalhar
Este é um dia para bronzear
Ficar apenas deitado na praia e divertir
Ele vai agarrar-te

Tudo o que ele quer é outro amor
Amanhã ele terá ido embora, rapariga
Tudo o que ele quer é outro amor
Tudo o que ele quer é outro amor
Amanhã ele terá ido embora, rapariga
Tudo o que ele quer é outro amor

Tu estás na mira dele
Ele é o caçador e tu és a raposa
A voz gentil que fala contigo
Não irá falar para sempre
Esta é uma noite para a paixão
Mas o amanhã significa o adeus
Cuidado com o que chama a atenção aos teus olhos
Ele vai agarrar-te

Tudo o que ele quer é...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A pequena loucura.

Fazemos assim:
Vens ter comigo esta noite quando já ninguém estiver acordado. Eu estarei a fingir que estou no terceiro sonho desta noite quente, quando me telefonarás a dizer que estás sentado no chão em frente à minha casa. Eu atenderei e dir-te-ei, em voz baixa, que és louco, mas que te amo por isso. Pedir-me-ás que vá ao teu encontro só para que me possas ver e para me dares um beijo de boa noite, noite essa que já irá a meio. Eu acederei ao teu pedido, mas, por certo, que não vou resistir à tua presença ali, diante de mim, e te vou arrastar para dentro. Farás o percurso até ao meu quarto calado, sem respirar, sem emitir qualquer vibração que faça alguém perceber para onde te levo ou simplesmente que estarás ali. Entrarás no meu quarto já sem a t-shirt que trarias vestida para esta loucura e encostar-te-ás à parede. Depois, eu trancarei a porta a sete chaves, irei ter contigo, encostar-me-ei a ti, beijar-te-ei e . . .
. . . simplesmente fazer-me-ás feliz!

sábado, 19 de abril de 2008

As vertigens.

Tinha vertigens. Subi tão alto, levaste-me para tão alto, que fiquei com vertigens. Agora tenho medo de cair. Disseste que me agarravas, que eu não precisava ter medo, porque nunca me irias largar nem deixar cair.
Confiei em ti, confio em ti. Trouxeste-me a ver coisas magnificas cá em cima. Mostraste-me coisas que só tu me poderias mostrar. Claro, só tu me poderias mostrar, se fosse outra pessoa eu vê-las-ia de outra forma, forma essa que, por certo, seria menos bela.
Sabes que mais?! Confiei em ti e não me arrependo por um segundo que sejas. Sabes porquê? Porque mesmo que um dia caia daqui de cima, deste longe tão alto, não me importo. Não me importo porque estar aqui em cima é a coisa mais hilariante que me podias dar, é a coisa mais magnifica que algum dia tive.
O tempo que me vais cedendo ao me deixares ficar contigo aqui em cima é o tempo que me possibilita conhecer mais de ti, o que faz com que te ame cada vez mais, mais e mais.
Vá lá, agarra-me!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O arrepio.

Ao ver-te entrar senti um arrepio. Aquele arrepio que todos aqueles que estão apaixonados sentem. Sortudos de quem o sente, feliz de quem o sente e faz sentir. Acho que sou apenas sortuda. Quem me dera fazer com que sentisses também esse arrepio.
Queria estar no teu lugar, queria que quando me visses entrar por este café (onde estou a escrever este maldito desabafo) também sentisses o arrepio que eu sinto quando te vejo. Aí sim, deixaria de ser apenas sortuda por senti-lo, e passaria a ser também feliz por to fazer sentir.
Apesar de tudo, acho que estou feliz de qualquer das formas. Não sou eu que tenho o privilégio de te causar tais sensações, mas sei que as sentes. Sentes por outra pessoa, é certo, mas tu és feliz com ela e eu só posso estar feliz por ti.
AAAAIIIIIIIIIIII... não sejas cínica contigo mesma. Já ouviste bem o que estás a dizer? Já paraste e pensaste no cinismo com que estás a encarar a situação? Tu gostas dele e o facto de saberes que ele gosta de outra pessoa e que é feliz não faz de ti uma pessoa feliz. Muito pelo contrário, faz de ti uma pessoa seca. E, já agora, deixa-me dizer-te que não, não és uma pessoa sortuda por sentires arrepios quando o vês. Sortuda serias se não sentisses nada por ele, sortuda serias se ele fosse para ti igual a qualquer outra pessoa.
Vamos mudar o discurso. Não, eu não me consigo sentir feliz por gostares de outra pessoa. Não consigo porque o sofrimento que causas em mim não o permite.
Olhar para ti e saber que não és meu; tentar aproximar-me de ti e recuares; cuidar de ti e ires embora... são estas coisas que não me deixam ficar feliz por ti. Peço imensa desculpa, mas não consigo ficar feliz por ti. A tua felicidade magoa-me.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O desejo.


Morangos vermelhos. Lábios encarnados. Unhas cor de vinho. Arranhões…! Sangue verde, como morangos não desejáveis para saborear.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Os momentos inesquecíveis.

Lembras-te quando, no meio da multidão, pegavas na minha mão, me puxavas para junto de ti e dizias ao meu ouvido que o meu andar te deixava completamente louco? Logo após o dizeres, olhavas em frente com um ar indiferente e, depois de veres o meu sorriso pelo canto do olho, olhavas para mim com o tal ar indiferente, sorrias e puxavas-me para os teus braços, beijando-me. Lembras-te?

Ainda te lembras de quando fingias que te magoavas e, enquanto te esforçavas para pôr aquela cara de criança em sofrimento, dizias que estavas muito mal e que precisavas dos meus mimos? Nessas situações, fazias com que eu te desse beijos para a suposta dor passar, fazias com que me deitasse ao teu lado a mimar-te até te esqueceres da dor que tinhas inventado e te abraçavas a mim, rias e me tentavas fazer cócegas.

E de quando me vendavas os olhos, sopravas com suavidade ao longo de todo o meu corpo e, apenas ao ritmo daquela música que ambos veneramos, me beijavas por cada ponto do meu corpo. Lembras-te?

Ah, lembras-te? Lembras? Lembras-te de quando discutíamos? Quando discutíamos, quer dizer, quando eu discutia contigo, ficavas a olhar para mim com aquele sorriso suave nos lábios à espera que eu te perguntasse se me estavas a ouvir ou se estavas a gozar comigo para, depois disso, me empurrares contra a parede, me olhares nos olhos, me dizeres que me amas e me beijares como se a discussão nos deixasse com mais vontade de nos amarmos. Muitas vezes, nem deixavas que eu te perguntasse se me estavas a ouvir, simplesmente, calavas-me com um beijo agressivo. Lembras-te? Vá lá... diz-me que sim. Diz-me que não te esqueceste.

Esta noite espero por ti... espero por ti para que me dês mais um momento inesquecível como todos estes... espero por ti porque é só a ti que quero. Espero por ti porque, também eu, te quero dar momentos inesquecíveis de autêntica loucura, parvoíce, amor, carinho... simplesmente momentos como estes, inesquecíveis.

O melhor momento para ser feliz é o agora. Alinhas?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Os sete pecados capitais.

Os pecados capitais são uma classificação de vícios usada nos primeiros ensinamentos do cristianismo para educar e proteger os crentes, de forma a compreender e controlar os instintos básicos.

O porquê do número 7
Os Pecados mortais são sete, não por coincidência, mas porque este número tem um significado especial. Este número representa a união do Mundo Divino com o Mundo Humano. O sete é considerado o número esotérico, o número da perfeição (eleva o ser na sua qualidade maior) e o número sagrado.


Origem dos 7 Pecados Capitais
A igreja classificou e seleccionou os pecados em dois tipos: os pecados que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão, e os pecados capitais, merecedores de condenação. No final do século 6, o Papa Gregório fez uma lista onde colocava por ordem decrescente os pecados que mais ofendiam o amor:

  1. Orgulho;
  2. Inveja;
  3. Ira;
  4. Melancolia;
  5. Avareza;
  6. Gula;
  7. Luxúria.
Mais tarde, a lista foi actualizada e, actualmente, a lista de sete pecados capitais aceite é:
  1. Soberba (ou orgulho, arrogância extravagância);
  2. Inveja (ou cobiça);
  3. Ira;
  4. Preguiça;
  5. Avareza (ou ganância);
  6. Gula;
  7. Luxúria.

Significado dos 7 pecados capitais
Soberba (ou orgulho, arrogância, extravagância):
É a sensação de que "Eu sou melhor que os outros", ou seja, a falta de humildade. Isto leva a criar um conceito de si mesmo elevado, que não corresponde à realidade, o tal amor próprio exagerado. Surge com isso a necessidade de aparecer, de ser visto passando inclusive por cima de padrões éticos e minimizando os outros.




INVEJA (cobiça):
Uma expressão popular bastante usada para designar inveja é “dor-de-cotovelo”. É a dificuldade de admirar o outro, o sentimento de desgosto pelo bem alheio e o desejo de possuir um bem que outro possui (não se refere apenas a bens materiais. A inveja faz-nos perder o contacto com nossas verdadeiras possibilidades.



IRA (cólera, raiva, fúria, rancor, ódio):
É um intenso sentimento de raiva, ódio, rancor, um conjunto de fortes emoções que nos leva a ser exageradamente agressivos. É vista como um desejo de vingança.









PREGUIÇA (morosidade, negligência, moleza, indolência):
É uma aversão ao trabalho. Este sentimento faz com que as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de solução destes. A preguiça não se resume na preguiça física mas também na preguiça de pensar, sentir e agir.





AVAREZA (cobiça, ganância, ambição, mesquinhez):
É ambição de riqueza e vontade exagerada de possuir qualquer coisa. Mais caracteristicamente é um desejo descontrolado, uma cobiça à bens materiais e ao dinheiro, ganância.


GULA (excesso, sofreguidão):
É um excesso no comer e no beber e o grande amor que se tem a boas iguarias.




LUXÚRIA (exuberância, ostentação, corrupção, lascívia,sensualidade):
É definida como uma impulsividade desenfreada. Tem também conotações sexuais, ou seja, é o prazer que se tem à carne.